domingo, 13 de maio de 2012

Lampião Pela Seguanda Vez, na Cidade de Ribeira do Pombal, a Caminho do Povoado Mirandela, Onde Brigou e Matou a Quem Cruzou o Seu Caminho Sangrento. Mais Antes Pediu as Forças Que Saissem do Povoado Para Evitarem Derramameto de Sangue!

Segunda Visita de Lampião a Vila de Pombal na Bahia... da Esquerda Para a Direita...  Lampião, Ezequiel, Virgínio, Luis Pedro, Mariano, Corisco, Mergulhão e Arvoredo .

Primeira Igreja da Cidade de Ribeira do Pmbal Bahia Obra Barrôca Feita Pelos Padres Jesuitas Portugueses.

Prédio da Antiga e Extinta Casa Chaves Que Aparece de Esquina na Praça Onde Lampião Deixou-se Fotografar-se.

Praça da Vila de Pombal em 1940...  Ver-se as 3 Arvores dentre duas Lampião o Seu Sub-Grupo,  Aparece na Fotografia.

Ao amanhecer do dia 25 de dezembro de 1929, a 81 anos, pela segunda vez Lampião e seus cabras chegam às redondezas de Pombal. Nesta mesma manhã, o Sr. Paulo Cardoso recebeu um bilhete, mandado por Lampião, pedindo uma quantia exorbitante de dinheiro. A quantia era tão grande que se reunisse todo dinheiro da Vila, não pagava. O Sr Cardoso temendo uma represália por parte do cangaceiro, se não enviasse pelo menos uma boa parte de dinheiro e uma desculpa bem, convincente, conseguiu o equivalente à metade do pedido, mandando pelo mesmo portador que trouxe o bilhete. Não se registrou nenhuma agressão ou tentativa de saque na Vila de Pombal, certamente o Capitão Virgulino aceitou as desculpas do administrador local ou imaginou outra hipótese, como por exemplo, a essa altura, talvez já se encontrasse ali reforço policial e o bilhete que enviara dava testemunho de sua presença nas imediações. Dava tempo muito bem da força preparar uma emboscada caso ele tentasse invadir a vila. Certamente o comandante do destacamento ignorava o recente acontecimento de Queimadas, onde Lampião enfrentou muito mais soldados do que os ali existentes. O sargento Francisco Guedes de Assis demonstrou disposição e evitou acatar ao intimato, contrariando ao desejo do cangaceiro, mandou-lhe resposta num outro escrito, com os seguintes dizeres: "Bandido Lampião, estou aqui com a edificante missão de defender a população do Arraial contra a sua incursão e do seu bando. Se você entrar lhe receberemos a bala".
Pouca gente sabe desse episódio que aconteceu em Mirandela, porém, não só foi contado por moradores que vivenciaram o caso, como também foi encontrado um registro escrito por um dos cangaceiros, por nome de Ângelo Roque, confirmando o fato. O registro manualmente escrito dizia:
"Seguimo para Mirandela. Mandemo dizer ao sargento, qui tava distacado lá, que nóis, ia passa ali, sem arteração. Ele arrespondeu pelo portado qui nóis pudia passa pru fora da rua que ele num botam persiga atraiz. Mais si nóis intrasse dento da rua levava tiro.
Isso foi num dia vinte i cinco di dezembro. Nóis arrezorveu ataca. Um pade tava na igreja dizeno missa. Era um sargento Guedes. Disparemo as arma pra dento da rua qui istrondô i avanecemo pra frente".
O destacamento de seis militares, recebeu espontaneamente, a adesão de dois civis: Manoel Amaral do Nascimento e Jeremias de Souza Dantas. Guedes divide sua pequena tropa em três grupos, colocando-os em três pontos diferentes e estratégicos. Eram dezessete bandidos contra seis militares e dois civis. Os bandidos invadem o arraial, atirando em todas as direções; Mirandela é heroicamente defendida. A luta dura duas horas e meia, aproximadamente, apesar da desvantagem dos defensores. Em determinado momento, o fogo dos sitiados começa a decrescer. Os bandoleiros sentiram que estavam ganhando a batalha e acirraram o ataque.
Manoel Amaral do Nascimento foi ferido e, enquanto era conduzido pelo sargento para o interior de uma casa, é morto à queima-roupa por um bandido que se presume ter sido Alvoredo. Guedes ainda atira no cangaceiro, que pede socorro aos companheiros. Ao notar que os cangaceiros atendem ao apelo de socorro, Assis corre e se refugia no mato. Jeremias de Souza Dantas, popular Neco, o outro civil, também é assassinado. Depois do acontecido, um cangaceiro por nome de Labareda, documenta o fato em uma folha de papel, reproduzindo o que se passou no local: "Lampião entro pulo cento da rua, junto com Zé Baiano, Luiz Pedo e outros. Zé Baiano tinha sumido de nóis dois dia só i tomo partido das disgracera de Queimada. Us macaco de mirandela inda brigam muito mais porem terminaro debandano. I si escondero pru perto cum pirigo pra nóis di tiro imboscados. Morreu nessa brigada um...  O certo é que Lampião dotado de muita astúcia e arquiteto das mais engenhosas proezas, sem dúvida tivesse pensado inúmeras desvantagens em tomar a Vila de Pombal para assalto. Na mesma manhã do Natal de 1929, o bandoleiro chega ao distrito de Mirandela. Foi previamente informado que o destacamento era constituído de apenas cinco praças e um comandante; envia então uma intimação ao sargento, com os seguintes termos: "Sargento arretire daí levando sua pessoa que preciso intra neste arraiá agora se você não sai ajusta conta com eu Capitão Virgulino vurgo Lampião".pidiu paiz cum lenço branco na boca du fuzi i ninguém intendeu ou num quis intendê. Tamem cangacero num tinha esse negoço di faze as paiz nu meio das brigada. Ele teve di morre pois teve brigano. Tumemo us dinhero pussive nu começo i nas casa".  O saldo da guerra: morreram os dois civis, um dos militares, sendo que os outros, inclusive o sargento Guedes, fugiram, embrenhando-se no mato; também foi ferido um cangaceiro por nome de Luiz Pedro. O bando sai de Mirandela, carregando o cangaceiro ferido, e vitoriosos, ganham o mato, como sempre, sem destino. Tem-se notícias do bando, mais tarde, de que estariam num esconderijo, perto de Pinhões, povoado de Euclides da Cunha, em um sítio é denominado Olho D'água. Fonte: Memória Histórica de Pombal, livro que tem como autor Fernando Amorim.
                                                                   

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Visita do Projovem de Quatros Comunidades de Serrinha: Alto de Fora, Urbis, Novo Horizonte e Vila de Fátima... Sobre a Coordenação do Professor Neilton Miranda e da Coordenadora Patricia. Apoio da Secretaria de Ação Social do Municipio; A Visita ao Portal do Cangaço de Serrinha, Foi na Última Sexta Feira, Dia 05 de Maio de 2012

Alunos do Projeto Projovem Adolecente, de Várias Comunidades Urbanas de Serrinha, Ficaram Maravilhados Com a Ssaga de Lampião e Maria Bonita.
Coordenadora do Projovem Explicando aos Alunos do Projovem: Detalhes do Portal do Cangaço de Serrinha Bahia.
Alunos Atentos ao Portal do Cangaço: Impressionados com Peças e Apetrechos dos Cangaceiros.
Guilherme Machado Mostra a Saga da História de Canudos: e Seu Lider Maior Antonio Conselheiro e Sua Gente Conselheristas.
Alunos ficaram Horrorizados Com a História do Cangaciro Ferrador:  Zé Baiano e Suas Vitmas,  Ferradas.
Pro Jovem Atentos na Vitrine Com Peças do Cangaço; Perguntam e Fotografam Sem Pararem.
Alunos Apostos, a Ouvirem do Curador Guilherme Machado: Toda uma História do Nordeste e Seus Personagens.
Guilherme Machado Exibe aos Alunos, O luxuoso Livro Bonita Maria  do Capitão da Escritora Vera Ferreira Neta de Lampião.
Bonita Maria do Capitão Livro de Vera Ferrira e Germana Goçalves de Araújo Bom de se Ver e Ler.
Foto Oficial de Despedida do Projovem Adolecente de Serrinha ao Portal do Cangaço de Serrinha Bahia.
Guilherme Machado, Professores e Coordenadores e Alunos do Projovem Adolecentes, na Entrada do Portal do Cangaço de Serrinha Bahia.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Pertences e Reliquías, do Rei do Cangaço Lampião: Objetos do Nomânde e Celebre Cangaceiro... Repare no Luxo e Requinte da Época... Com Muitos Detalhes e Muita Estética, no Cangaço do Nordeste Brasileiro. Fotos Retiradas do Livro Estrelas de Couro do Escritor: Frederico Pernambucano de Melo

Chapeu de Couro Com Abas Virada Para o Alto.no Centro 4 Medalhas de Ouro e Prata...e 2 Simbolos de Flores de Lirio, Para Mal Olhados, Testeiras em Medalhas de Ouro, Barbicahos em Couro Ornamentados com Cravos de Prata.
Anéis em Ouro maciço, Com Gravuras do Nome do Rei do Cangaço e Sua Mulher Maria bonita: Ver Gravura no anel Central (VFS)  "Virgulino Ferreira da Silva" em Ouro Maciço 18 Kilates e Lapidado.
Caneca em Cobre Macassita Bordada em Ferro Quente. Onde Lampião Degustava do Chá de Folha de Cassutinga a Wisky White House... Esta caneca era de Estimação do Capitão Lampião, Não Saia do Seu
 Coldre traseiro.
Cantil Bordado a Mão um Presente Para o Capitão Lampião, da sua Comadre a Cangaçeira Dadá.

Binóculo Tipo luneta, Instrumeto de Virgilia de Guerra do Capitão Lampião... Da mesma que era usada por piratas dos sete mares.
Cartucheira de Ombro Toda Cravejada de Couro Branco: Lampião Usava em Seu Ombro Direito.

2 Cartucheiras uma de Balas de Revover e a Outra Para Balas de Fuzil... Na Medida do Capitão Virgulino.

Embornais Bordados em Ponto Cruz: Mais um Presente da Comadre Dadá Para o Compadre Lampião.



                         Apercatas Modêlo Xô Boi de Numero 42 a Medida do Capitão Virgulino.


Lenço de Pescoso Quadriculado: um Presente de Maria Bonita pra o Seu  Amado Capitão.


Perneira de Couro em Sola Natural Cravejadas de Ilhóis Branco.  uma Bela Arte Feita Pelo Capitão Virgulino em Seu Oficio de Seleiro de Nazaré dos Picos.
Facão Com o Cabo Com a Cabeça de uma Águia de Ouro:  Este o Capitão Usava em Baixo do Suvaco Deixando o Cabo Exuberante Avista dos Invejosos Cangaceiros.

Punhal de Ouro e Cravejado de Prata com Folha de Aço Medindo 80cm. Lampião Afirmava que era Arma Abencoada pelo Rei Salomão Com as Estrelas de Davi.

Pistolas Lugger: Modêlos Parabellum, Curto e Longo: Calibre 380mm.  9 tiros...  uma de Cano Curto e outra Longa Pistolas de Uso do Comandante das Caatingas; Lampião.



Dois Rifles Winchester de Fabicação Americana Calibre 440mm. Conhecidos Como Papo Amarelo Pela Sua Placa Amarela na Parte Inferior da Coronha, de Manuseio do Capitão Virgulino da Silva... Observar os Cravejamentos do Primeiro Rifle.




domingo, 6 de maio de 2012

Literatura Sobre Lampião e o Cangaço: Painel da Literatura de Cordel Sobre o Capitão Virgulino Ferreira da Silva "Lampião" Literatura Genuinamente Nordestina.

Lampião Foi o Personagem de Maior Aceitação,  no Mundo das Diverssas,  Literaturas de  Cordéis  e Estrofes de Poetas Repentistas. Lampião Heroi! Bandido,Justiceiro,Governador,Poeta, Matador, Valente, Fujão...  Acaba Mundo,  Amigo dos Pobres e Ricos e  Muito Mais;  No Mundo da Fantasia do Cordel,  Literatura Genuinamente Nordestina. 

A Misteriosa Bala Incendiária do Capitão Corisco "Diabo Loiro" Instrumento Achado na Antiga Fazenda Pacheco em Barro Alto na Época Municipio de Barra do Mendes Bahia...Nome da Bala " Catch a Fire" Ou Simplesmente Isqueiro da Morte.

Isqueiro Bala Fechado; Repare na Semelhança, de Uma Bala de Cravinote.
Isqueiro Bala Aberto; Funciona Com Pedra de Fogo e Gasolina ou Fluído.


Em Minhas Viagens na Trilha de Morte do Capitão Coriso. em Barro Alto Bahia na Antiga Fazenda dos Pachecos no Municipio de Barra do Mendes. Onde Conheci Vários Amigos, Testemunhas da Cassada do Tenente Zé Rufino,  ao Diabo Loiro o Capitão Corisco... Alguns Deles, Edgar das Laranjeiras, Lídio Neri, Florisvaldo Pereira "Zuzu", Zé de Diva, "in memorin",  Edizio Ibipeba, e Muitos Outros que Não me Recordo... Dentre Eles Um Foi Muito Últil nas Minhas Pesquisas, Irineu Dourado "in memorian" da Cidade de Ibititá,  que me deu Alguns Pertences,  que Foram Posteriormente Encontrados nas Terras da Antiga Fazenda Pacheco.  Onde Estava Escondidos,  Dadá & Corisco em 1940... O Velho Irineu a quem eu tinha uma Grande Estima era Cacheiro Viajante da Região do Feijão.  e Se Encontrava em Barra do Mendes em  1940.  Quando Assassinaram o Capitão Corisco.  Irineu Viajava Com Seu Automovel, um Ford 1938 Quase que Sem Uso! Afirma o Velho Almocrefe. Foi Qeum Me Entrgou Vários Objetos,  Que Ele Comprou de um Antigo Vaqueiro,  da Fazenda Pacheco... Moedas, Punháis, Anéis,  Baionetas, Balança, Dentre os Objetos o Que Mais me Chamou Atenção,  Foi a Bala Acima! Um Isqueiro em Forma de Bala... Este serviu aos Cangaceiros Para Acenderem Cigarros, Cachimbos, ou Charutos, e Tambem Servia pra Incendiar Casas e Pastos de Seus Inimigos... "A Bala Incendiária"   O Vaqueiro Velho Confirmou que o Isqueiro Caiu da Trouxa Que Corisco Carregava em Viagem Com Destino a Bom Jesus da Lapa na Bahia. 

Literatura Sobre o Cangaço e Lampião: Livro Maria Bonita do Capitão: De Vera Ferreira e Germana Gonçalves de Araújo... Este Livro Foi Uma Doação do Amigo, Escritor e Pesquisador: Antonio José. Da Comunidade da Bela Vista-Serrinha Bahia.

Neta de Lampião lança livro sobre a vida de Maria Bonita
Com a presença de artistas, jornalistas, empresários, autoridades e educadores, entre outros profissionais ligados às artes e à cultura, foi lançado esta semana, no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju, o livro ‘Bonita Maria do Capitão’. A obra, publicada pela Editora da Universidade Estadual da Bahia (Eduneb), comemora o centenário de nascimento de Maria Bonita, mulher do capitão Virgulino Ferreira da Silva, o famoso cangaceiro Lampião.
 Organizado pela neta de Lampião e Maria Bonita, Vera Ferreira, e pela desenhista industrial e professora de designer gráfico da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Germana Gonçalves de Araújo, o livro contou com o patrocínio do Instituto Banese, gestor do Museu da Gente Sergipana, e do Banese Card.  Segundo o diretor de Programas e Projetos do Instituto Banese, o arquiteto e escritor Ézio Déda de Araújo, além do trabalho biográfico a publicação mostra a participação de Maria Bonita nas artes, a sua presença na música, no cinema, no teatro, dança e xilogravura. “Trata-se de um material de excelência, um trabalho muito bem cuidado, pesquisado e fundamentado”, disse Ézio ao destacar que esta foi a primeira publicação apoiada pelo Instituto Banese depois da inauguração do Museu da Gente Sergipana.
 Para Vera Ferreira, a literatura do cangaço estava devendo a Maria Bonita um trabalho à altura da história dela. “Passamos três anos organizando o livro. Germana parou o doutorado dela por seis meses para se dedicar à obra, que foi cuidada nos mínimos detalhes, a exemplo do marcador de livro que é o desenho da luva da minha avó, que mandamos fazer em são Paulo”, disse Vera. Composição... ‘Bonita Maria do Capitão’ é um livro estruturado em duas partes: a primeira, biográfica, apresenta textos e imagens da sertaneja de Malhada da Caiçara, sertão da Bahia, Maria Gomes de Oliveira. Trata-se do resultado da leitura dos estudos de vários pesquisadores no assunto, mas, principalmente, da busca constante sobre a configuração genealógica dos Gomes de Oliveira pela neta Vera Ferreira. Já a segunda parte, que é dividida em temáticas, configura-se em uma original composição de obras de artistas que se apropriaram da imagem de Maria Bonita para suas produções, juntamente com textos de estudiosos e pesquisadores sobre a representação dela dentro de cada uma das temáticas desenvolvidas: fotografia, cinema, xilogravura, literatura, teatro, música, artesanato, moda e artes visuais... Presenças  ntre as pessoas que prestigiaram o lançamento do livro, na noite da última terça-feira, 13, estavam a secretária de Estado da Inclusão, Assistência e do Desenvolvimento Social, a primeira-dama Eliane Aquino, o publicitário Antônio Leite, o médico e escritor Marcelo Ribeiro e a superintendente da Banese Corretora, Avilete Ramalho, além da diretora do Instituto Banese, Gileide Barbosa... Este Livro Foi uma Doação do Escritor Antonio José, do Povoado Bela Vista. Para o Portal do Cangaço de Serrinha Bahia.

Literatura Sobre Lampião e o Cangaço: Livro Estrelas de Couro a Estética do Cangaço do Professor Frederico Pernambucano de Melo.


Prefácio: Ariano Suassuna
"Estrelas de couro, o livro que eu gostaria de ter escrito”
diz Ariano Suassuna
ESTRELAS DE COURO - A ESTÉTICA DO CANGAÇO
Obra finalista do Prêmio Jabuti 2011 nas categorias Produção Gráfica e Ciências Humanas
Autoridade no tema Cangaço - expressão do irredentismo popular brasileiro -, o historiador Frederico Pernambucano de Mello nos apresenta o livro Estrelas de couro: a estética do cangaço (Escrituras Editora), com prefácio de Ariano Suassuna.
Pernambucano, chamado por Gilberto Freyre de “mestre de mestres em assuntos de cangaço”, mergulha no universo desconhecido de sua cultura material, promovendo a leitura profunda do requinte e dos significados presentes nas poucas peças autênticas de uso dos cangaceiros, a exemplo do signo-de-salomão, da cruz-de-malta, da flor-de-lis, do oito contínuo deitado, das gregas, de variações sublimadas da flora local, e das tantas combinações possíveis de que se valia o cangaceiro na construção de um traje que atendia à vaidade ornamental de seu brado guerreiro e a anseios bem compreensíveis de proteção mística. Resultado de estudo profundo a que se dedicou Pernambucano desde 1997, a obra é um ensaio interdisciplinar, um livro de arte com mais de 300 fotos históricas, que contou com a colaboração da Aba-Film (Fortaleza-CE), Fundação Joaquim Nabuco (Recife-PE), Instituto da Memória (Aracaju-SE), Instituto Cândido Portinari (Brodowski-SP), Instituto Ricardo Brennand (Recife-PE), Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (Maceió-AL), Museu Estácio de Lima / Instituto Nina Rodrigues (Salvador-BA), Museu da República (Rio de Janeiro-RJ) e do autor, que possui o maior acervo de peças de uso pessoal dos cangaceiros, com cerca de 160 objetos, que teve lugar de destaque na Mostra do Redescobrimento - Brasil 500 Anos (2000, São Paulo).
O livro é a primeira produção de história íntima sobre o fenômeno de insurgência social de maior apelo popular do Brasil. Sem perda do caráter epidérmico de banditismo, Pernambucano nos mostra uma tradição brasileira de insurgência recorrente, irmã do levante indígena, do quilombo e da revolta social. E conclui que nos veio do fenômeno a própria marca visual da região Nordeste: não mais que uma estilização da meia-lua com estrela do arrebitado da aba do chapéu de couro dos velhos capitães de cangaço.
“Habitando um meio cinzento e pobre”, conclui Pernambucano, “o cangaceiro vestiu-se de cor e riqueza. Satisfez seu anseio de arte, dando vazão aos motivos profundos do arcaico brasileiro. E viveu sem lei nem rei quase em nossos dias, deitando uma ponte sobre cinco séculos de história. Foi o último a fazê-lo com tanto orgulho. Com tanta cor. Com tanta festa”.
Sobre o autor:
Frederico Pernambucano DE MELLO possui formação em História e Direito, sendo Procurador Federal (aposentado) no Recife, cidade onde nasceu. Na Fundação Joaquim Nabuco, integrou a equipe do sociólogo Gilberto Freyre, de 1972 a 1987, período em que se especializou, sob a orientação deste, no estudo da História Social da região Nordeste do Brasil, especialmente em seus aspectos de conflito, tendo publicado os seguintes livros: Rota Batida: escritos de lazer e de ofício (Recife, Edições Pirata, 1983), Guerreiros do Sol: violência e banditismo no Nordeste do Brasil (Recife, Editora Massangana/Fundação Joaquim Nabuco, 1985, ora em 5ª edição pelo selo A Girafa, Editora Arte Paubrasil), Quem Foi Lampião (Recife-Zürich, Stähli Edition, 1993, em 3ª edição), A Guerra Total de Canudos (Recife-Zürich, Stähli Edition, 1997, em 2ª edição pela Editora A Girafa, SP), Delmiro Gouveia: desenvolvimento com impulso de preservação ambiental (Recife, Editora Massangana/Fundação Joaquim Nabuco-CHESF, 1998) e Tragédia dos Blindados: a Revolução de 30 no Recife (Recife, Editora Massangana/Fundação Joaquim Nabuco, 2007). Possui diversos prêmios literários, a exemplo dos concedidos pela Academia Pernambucana de Letras e pelo Governo do Estado de Pernambuco, através da Fundarpe, além de distinções honoríficas civis e militares, dentre as quais, a Medalha do Mérito da Fundação Joaquim Nabuco, a Medalha do Pacificador e a Ordem do Mérito Militar do Exército Brasileiro. É membro dos Institutos Históricos de Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte, do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil, e da Academia de História Militar Terrestre, tendo sido curador internacional da Fundação Bienal de São Paulo por cinco anos, e presidente da União Brasileira de Escritores - UBE/Seção Pernambuco. Na Academia Pernambucana de Letras, ocupa a cadeira 36 desde o ano de 1988. Pela originalidade de seus estudos, pelo volume da obra que produziu, e por se dedicar a aspectos de nossa história considerados ásperos e de pesquisa difícil ou penosa, tem sido considerado, sobretudo no meio acadêmico paulista, o “historiador do Brasil profundo”. Estrelas de Couro: a estética do cangaço é resultado de estudo profundo a que se dedicou desde o ano de 1997.
Esta é Mais uma Obra Literária Que Faz Parte do Acervo Portal do Cangaço da Bahia.